segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Estranho no ninho
As qualidades que procuramos se revelam muitas vezes falsas, sendo preciso uma boa dose de jogo de cintura para nos dar uma maior confiança na escolha. Quando isso não acontece, perdemos o tênue fio que nos segurava e viramos alvo fácil das brisas e correntes que só a madrugada consegue trazer.
Bocados se juntam durante a noite quando não há nenhuma lua no céu, nenhum som na terra e o vigia dorme profundamente, transformando “o ontem” em lembrança e ensaiando um amanhã que não deveria ser. Como a noite nem sempre é escura pra quem tem visão de águia, portas que insistiam em permanecerem trancadas, se abrem num passe de mágica para que as trilhas do desafio nunca cheguem ao fim...
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Por tudo que for
O desespero é o pior caminho, pois às vezes um gesto simples afasta todas as preocupações trazidas. Porém o medo do desconhecido ainda é o maior freio de mão do ser humano, e tudo se resume à uma cruz e uma espada, afinal se o inferno não nos metesse tanto medo, o paraíso nem seria tão desejado.
E quando estamos nessa situação, o comportamento tem que ser lento, constante, quase envergonhado, como quem pede desculpa por não ter aparecido na hora marcada. E será nessa desculpa que aquela pessoa que desmarcou o encontro em cima da hora, vai perceber a sorte que possui...
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Lance de dados
Desejar ser amado é o maior erro que cometemos. Deste sentimento, sobram só críticas em tom de desabafo, aquelas honestas e sinceras que se apresentam como um sinal de rara lucidez. E em qualquer relacionamento, o mínimo que esperamos é honestidade. E a honestidade, em si mesma, é apenas uma desculpa, e as desculpas são formas de desonestidade.
Nessas situações, cada um escolhe sua melhor válvula de escape. Eu resolvo escrever, pois escrever é assumir que estamos, nem que seja em partes, fartos de nós mesmos.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Pra entender
Na maioria das vezes releio o que escrevo, e reprovo, leio as primeiras frases e aborreço-me nas segundas. Mas é só começar a pensar no passado que estou a construir e as idéias começam a se espalharem pelo chão, como um vendaval numa loja de cristais.
Por acumulação de certas experiências, resolvo dar continuidade no meu texto, que no início parecia revestido de uma dose incontornável de incompetência.
Escrever é como se esconder para observar, imaginando nas sombras projetadas todos os personagens que farão parte de sua história. E quando não vemos esses personagens, fica um vazio que nem sempre queremos preencher.
Só depois percebemos que para evitar tudo isso, bastava ter saído da toca, bastava sair da toca...
domingo, 26 de outubro de 2008
Sons de cabeceira
Enquanto o mundo se repete através dos jornais, eu continuo sem achar graça nenhuma desse ruído constante que ecoa por corredores sem fim. Fingir estabilidade e impedir que cortem as flores, não é oficio fácil como pensam os senhores.
O importante é atingir o objetivo final, mesmo que pra isso seja preciso comprar dor para vender felicidade. Só peço que não acendam a luz do quarto quando o sol se for, pois é nele que rego plantas que há dias estão mortas, que moldo a esperança que alguém derreteu e principalmente porque ali, o silêncio é bem mais forte que o frio, e é por ele que ando enquanto estou acordado, sem sono, sem censura, como quem faz justiça com as próprias mãos.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Contra a tradição da contradição
Precisamos parar para pensar sobre a curiosa condição em que se vive hoje. Que é igual à de ontem, mas completamente diferente. Não dá mais pra ficar sem sentir, como se não houvesse mais nada para acreditar. Mas não é assim, vão caindo as convicções artificiais e a dúvida desce, como uma neblina que ilude a sirene.
O referencial não tem a origem definida, e isso me agrada e me deixa com um certo otimismo em relação ao futuro. E é exatamente esse sentimento que me dá força e esperança, como se eu pudesse reinventar horizontes para manhãs abandonadas. Quando se tem uma âncora deste tipo, a confiança cresce. Isto é perturbador para quem está de fora e fica por entender que apesar do estado do mar ter se agravado, nunca se tinha atingido tal estabilidade.
[...] é uma forma de morrer por nada.
O que mais me incomoda nas pessoas é a falta de tolerância para opiniões opostas. O "pré-conceito" está tomando a frente sem se preocupar com o que está vindo atrás, hoje as pessoas são todas programadas... Programadas para obedecer sem perceber, agir sem sentir e amar sem confiar. Não quero fazer nenhuma revolução, mas não podemos estar sempre agindo como alguém que sai em busca de algo que nunca vai encontrar.
Enquanto no planalto uma minoria se diverte, na rua tem gente bebendo chuva e crianças virando bicho. A preocupação com o poder está acima de qualquer coisa. E para os que não querem sair dessa dança, esqueça tudo que foi aprendido, e comece novamente a aprender da forma que eles querem. E então morra agarrado ao poder que conseguiu, abrace o poder com força, até não mais poder...
Antes que você se esqueça...
É difícil entender o silêncio, mas não há nada o que dizer quando a sorte está fugindo. A única vontade agora, é apagar todas as pegadas, pra que nem eu mesmo saiba como fazer para voltar. Só peço que não tenha medo, tentando soprar areia nos meus olhos. E antes que você se esqueça, eu te dei meu coração, mas você quis minha cabeça.
Nada que agente não mereça...
Quem cala...
Porém, subestimar o outro não tem sido boa estratégia, se ficássemos quietos, tendo razão, seria mais fácil de chegar aonde queríamos, e não seria surpresa para ninguém.
E tenho dito.
Palavras que não têm nada pra dizer
Por isso, é sempre bom certificar suas intenções antes de preencher o papel, pois é você quem carrega as bagagens pelos corredores do mundo. E como não existe serviço de quarto, você talvez tenha que ficar, parado na porta do paraíso, mas sem ter vontade de entrar.
